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I. Conceito ou definição
A internet (Interconnected Networks) é uma rede de computadores e outras redes menores interligados ou conectados entre si em escala mundial através de um protocolo comum chamado TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol). Daí a referência direta e resumida da internet como sendo a rede mundial de computadores (Nota 1).
II. Histórico
A origem da internet remonta aos idos de 1969 com o Projeto ARPANet (Advanced Research Project Agency Network) do Departamento de Defesa norte-americano. O projeto, dando curso a estudos anteriores, pretendia a manutenção da comunicação entre computadores militares mesmo no caso de ataques nucleares. As principais indicações dos estudos foram as seguintes: a) a rede não teria um computador central e b) as informações trafegariam em pacotes de computador para computador até chegarem ao seu destino final, onde seriam reconstruídas no formato original.
No final da década de 70, a ARPANet atingiu os meios acadêmicos e, já no início da década de 80, transformou-se na internet. Registra-se o início da década de 90 como o começo da exploração comercial da internet.
III. Funcionamento
III.1. Componentes
Vejamos como se processa o tráfego de informações na internet identificando, a partir daí, os vários componentes da Grande Rede. Toma-se, nesse exercício, a situação mais singela de um usuário doméstico utilizando conexão à internet por linha telefônica comum.
O microcomputador doméstico, conectado à linha telefônica por intermédio de um modem, liga para o computador de seu provedor de acesso à internet. Assim, enquanto durar a sessão de conexão, o microcomputador doméstico estará vinculado ao computador do provedor.
Quando o usuário envia um e-mail (mediante um programa gerenciador de correio eletrônico) ou comanda o acesso a um determinado site (através de um navegador ou browser), o modem converte os sinais digitais (ou bits) do computador em sinais analógicos (formato admitido pelas linhas telefônicas) e os envia ao computador do provedor que realiza o serviço inverso (transforma os sinais analógicos em digitais).
As comunicações entre os computadores na internet adotam um protocolo específico: o TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol). Esse protocolo divide a mensagem em pequenos blocos de informações denominados de pacotes onde são definidos o destino da informação e a forma de reconstituir a mensagem original. Nesse sentido, computadores diferentes, funcionando de maneiras diferentes, podem estabelecer comunicações entre si: é o conceito de arquitetura aberta, consagrado na internet (Nota 2).
O computador do provedor encaminha os vários pacotes da mensagem para o ponto mais próximo do computador de destino. Esse procedimento é realizado por máquinas conhecidas como roteadores (que lê o endereço de destino dos pacotes e os envia). No seu caminho até o destino das informações, os pacotes podem passar por vários roteadores.
Se for necessário, como no acesso a um site, o computador de destino devolve ao computador de origem os arquivos componentes da página solicitada. Para tanto, as informações seguem um processo idêntico ao até aqui descrito.
Portanto, a utilização da internet (navegação, comunicação por correio eletrônico, etc) pressupõe a existência dos seguintes componentes:
a) microcomputador (do usuário);
b) linha telefônica;
c) modem;
d) provedor de acesso à internet (Internet Service Provider);
e) software de correio eletrônico, navegação, etc;
f) protocolo TCP/IP (normalmente o software necessário já vem instalado no equipamento adquirido);
g) computadores dos provedores (roteadores e outros, permanentemente ligados com os outros provedores);
h) conexões (utilizando diversos meios, tais como linhas telefônicas, cabos de fibra ótica, satélites, cabos submarinos, ondas de rádio, rede elétrica, etc).
Quando o microcomputador utilizado estiver ligado a uma rede local não há necessidade de linha telefônica para conexão com o provedor de acessos.

A internet atual apresenta significativos limites de crescimento. Um dos principais problemas é a infra-estrutura utilizada para transmissão das informações (desenvolvida nas décadas de 60 a 80). Hoje, com o fluxo de dados existente, não só na forma de textos, mas de sons, imagens, animações e vídeos, a largura de banda (da estrada por onde trafega a informação) não atende satisfatoriamente a demanda. Surge daí a necessidade de desenvolvimento das tecnologias de banda larga. As mais discutidas e utilizadas são: ISDN (Integrated Services Digital Network), ADSL (Assimetric Digital Subscriber Line), Cable Modem, ondas de rádio, fibra ótica (Nota 3) e rede de energia elétrica (Nota 4).
Entre as peculiaridades do uso das tecnologias de banda larga estão justamente a superação das linhas telefônicas (em algumas delas) e o acesso permanente à internet (não existem as chamadas sessões de acesso).
III.2. IP (Internet Protocol) e domínio
IP (Internet Protocol) é um protocolo utilizado na internet com a função de atribuir a cada computador conectado na rede um endereço lógico único. O chamado número IP viabiliza as várias transferências de informações na internet exatamente porque pode ser identificada de onde vem a demanda pelos dados e também onde devem ser buscados os dados solicitados.
O endereço IP assume o formato de um número de 4 bytes ou 32 bits (agrupados em quatro números de 8 bits) separados por um ponto. Eis um exemplo: 200.252.219.162 (endereço IP do computador que armazena os arquivos do site do Supremo Tribunal Federal).
Quando a conexão à rede mundial de computadores é realizada por meio de linha telefônica (acesso discado ou dial-up) é atribuído um novo número para o computador do usuário a cada sessão. Assim, ao finalizar a sessão o número IP utilizado é liberado e pode ser utilizado pelo provedor para identificar o computador de outro usuário.
Em algumas das formas de acesso por intermédio de banda larga, como não existe sessão de conexão, o endereço IP do usuário é permanente ou imutável.
Um dos principais procedimentos relacionados com a investigação da autoria de atividades nocivas na internet consiste na identificação do endereço IP da máquina de onde partiu certa mensagem ou transmissão de dados. Convém destacar que o endereço IP encontrado não deve ser tomado como informação absolutamente segura, considerando a existência de várias formas de encobrimento ou modificação do endereço realmente utilizado (Nota 5).
Para facilitar a utilização da internet pelos vários usuários, eliminando a necessidade de especificar os endereços ou números IPs, foram desenvolvidos os domínios. Dessa forma, para acessar um site ou enviar uma mensagem de correio eletrônico, basta digitar o nome de domínio ou endereço. Exemplos: www.aldemario.adv.br, www.stf.gov.br, www.ucb.br, pedro@terra.com.br, fernando@fazenda.gov.br, direito@ucb.br.
A "tradução" dos nomes de domínio digitados em endereços IP é realizada por computadores (servidores) específicos. Essas máquinas disponibilizam o serviço chamado de DNS (Domain Name Service).
Outra das limitações atuais da internet, conforme mencionamos no item anterior, está no número possível de endereços IP (com o formato de 4 bytes). O projeto Internet2 (Nota 6) pretende, entre outras inovações, elevar para 16 o número de bytes no endereço IP.
III.3. WWW (World Wide Web)
Existem vários recursos, serviços ou funções na internet: correio eletrônico, transferência de arquivos, comunicação em tempo real, etc. De todos, o recurso mais popular, aquele que dinamizou a rede mundial de computadores com o uso de interface gráfica e multimídia (textos, imagens e sons), é a WWW (World Wide Web).
A WWW, ou simplesmente Web, está baseada no conceito de documentos com hipertexto. Um hipertexto é a parte marcada de um documento que ao ser acionada leva o usuário para outra parte do mesmo documento ou de outro documento (no mesmo computador ou em qualquer computador ligado à internet). O protocolo para transferência de páginas utilizado na Web é conhecido como HTTP (Hipertext Transfer Protocol).
As páginas Web, integrantes de sites ou home pages, são construídas numa linguagem específica chamada HTML (Hypertext Markup Language). As linhas de instrução, na linguagem HTML, iniciam-se por códigos ou marcas específicas (tags) responsáveis pela organização espacial dos elementos componentes da página e pela formação dos vínculos ou links com outros documentos. O formato HTML permite a inserção de inúmeros formatos de arquivos de imagem, sons, vídeo, etc. Para visualizar o arquivo ativo no navegador na forma original (em HTML) basta acionar os comandos EXIBIR > CÓDIGO FONTE (no Internet Explorer).
Para acessar uma página na Web é preciso digitar na barra de endereços do navegador ou browser o endereço conhecido como URL (Universal Resource Locator). Vejamos um exemplo:
http://www.aldemario.adv.br/meios.htm
Onde: http:// é o protocolo para transferência e exibição de documentos do tipo hipertexto; www.aldemario.adv.br é o domínio que indica, depois de "traduzido", a localização do computador onde os arquivos estão armazenados e disponíveis e meios.htm é o documento ou arquivo a ser conectado e exibido.
III.4. Correio eletrônico (Eletronic Mail)
A troca de mensagens eletrônicas (e-mails) na internet pressupõe que o usuário possua um endereço de correio eletrônico e um programa gerenciador dessa atividade. Os protocolos de comunicação utilizados nesse serviço são: o POP (Post Office Protocol) e o SMTP (Simple Mail Trasfer Protocol).
Vejamos um exemplo de endereço de correio eletrônico e seus componentes:
aldemario@terra.com.br
Onde: aldemario é o nome de login do usuário; @ (caractere especial chamado de arroba) significa "em" e terra.com.br é o nome de domínio do provedor utilizado para receber e enviar as mensagens.
Convém destacar que a mensagem de correio eletrônico é remetida para a "caixa postal" eletrônica do destinatário no seu provedor de acesso à internet. Assim, o destinatário somente terá acesso direto à mensagem quando "descarregar" ou "esvaziar" sua "caixa postal".
Atualmente, são muito populares os webmails (serviços proporcionados por sites onde o envio e recebimento e mensagens utiliza o próprio navegador ou browser).
É possível, a partir dos programas de gerenciamento de correio eletrônico, transmitir, juntamente com a mensagem, todo e qualquer arquivo (textos, imagens, sons - o formato é irrelevante). Dá-se o nome de attachment ou anexação ao procedimento de vincular e enviar arquivos por intermédio de mensagens de correio eletrônico.
Quando várias pessoas, com endereços de correio eletrônicos distintos, mas com interesses comuns, compartilham e-mails, temos a chamada lista de discussão ou grupo de discussão. Nesse caso, a mensagem é remetida para um endereço padrão onde um software específico se encarrega de enviar a correspondência eletrônica para todos os integrantes da lista ou grupo.
VEJA O CAMINHO PERCORRIDO PELOS PACOTES DE DADOS ATÉ CHEGAR AO SEU COMPUTADOR
1. Abra o prompt do DOS (Iniciar >Programas > Prompt do MS-DOS)
2. Digite tracert {nome do site}
VEJA O IP QUE VOCÊ UTILIZA PARA NAVEGAR NA INTERNET
www.fccn.pt (veja a última linha de texto da página)
NAVEGUE ANÔNIMO (SEM "CARRREGAR" SEU ENDEREÇO IP)
www.anonymizer.com
O ACESSO À INTERNET:
Vídeo
NOTAS:
(1) "Podemos definir Internet como uma gigantesca rede mundial de computadores, interligados por linhas comuns de telefone, linhas de comunicação privadas, cabos submarinos, canais de satélite e diversos outros meios de telecomunicação". Fedeli, Ricardo Daniel; Polloni, Enrico Giulio Franco e Peres, Fernando Eduardo. Introdução à Ciência da Computação. Pág. 201. 2003. Thomson.
(2) "Em toda essa história, salientamos que a grande vantagem do sistema Internet é ser um sistema virtual e, por esse motivo, baseia-se na rede física de comunicações já existente, contrariamente a outros sistemas já citados que, no passado, exigiam um suporte de rede própria de comunicações físicas. Destacamos, também, que a existência da Suíte de Protocolos TCP/IP, que dá vida à Internet, não exclui a possibilidade de definição e desenvolvimento de novos sistemas virtuais que ampliem as funcionalidades hoje existentes na Internet e na Teia de Âmbito Mundial". Zuffo. José Antonio. A Tecnologia e a Infossociedade. Pág. 36. Manole.
(3) "A queda de custo de produção e instalação das fibras ópticas tornou-as mais econômicas e competitivas do que os cabos coaxiais e mesmo mais econômicas que os pares de fios trançados de alta qualidade (classe 5). Porém, o que mais interessa nas fibras ópticas é sua capacidade de transmissão de sinais" (...) "As possibilidades de desenvolvimento de amplificadores e multiplexes ópticos diretos que utilizam óptica não-linear e óptica difrativa são, entretanto, imensas. Como já afirmamos, em todo o mundo existem milhares de laboratórios de pesquisas que trabalham nesse sentido. Já em 1999, por exemplo, estabeleceram-se linhas de telefonia internacionais que operam em freqüências de 100 Gbits/s (143); em 1998 e agora em 2001, conjuntos de quatros de fibras ópticas que atingem 3,2 terabits/s (435). A freqüência de 100 Gbits/s possibilita, por exemplo, a transmissão simultânea de 50 mil canais de TV de alta definição (HDTV) em uma única fibra óptica de menos do que milímetro de seção diametral. Na comutação óptica direta, essa capacidade poderá ser ampliada por fator 10 mil vezes". Zuffo. José Antonio. A Tecnologia e a Infossociedade. Págs. 14 e 15. Manole.
(4) "Há forte tendência para a utilização das linhas e fios de alimentação de energia elétrica como meios de transmissão de sinais digitais, não só para a formação de redes domésticas que interliguem utensílios eletrônicos, PCs e impressoras, mas também para a conexão de todos eles à Internet, como ainda existem propostas para a utilização da fiação de alimentação pública para sistemas de comunicação digital". Zuffo. José Antonio. A Tecnologia e a Infossociedade. Pág. 70. Manole.
(5) "Violação de sistemas, correio eletrônico anônimo, etc., constituem a modalidade de exame mais solicitada aos peritos de computação forense. A perícia para determinação de autoria dos crimes na rede exige conhecimentos técnicos relativos aos protocolos de comunicação, e o TCP/IP é o protocolo mais utilizado nas redes (inclusive na Internet) nos dias de hoje. (...) Todo usuário de computador que se conecte à Internet tem obrigatoriamente que possuir um endereço IP em sua máquina. Como vimos anteriormente, ele pode estar utilizando um IP privado (reservado para redes internas) ou um IP público. E, como a distribuição desses endereços é controlada, identificando o endereço IP teremos pelo menos um host por onde aquele usuário passou ou então sua própria identificação. Caso seu IP seja privado, certamente chegaremos ao gateway de sua rede, e daí poderemos chegar ao autor da ação que estamos periciando. (...) Acontece que alguns indivíduos, autores de mensagens ou ataques a redes e sistemas, camuflam seu endereço IP de forma a dificultar sua identificação por parte dos peritos e investigadores. Existem algumas maneiras de fazer tal camuflagem, mas citaremos apenas duas das mais utilizadas. (...) 5.3.1 IP Spoofing/O que este ataque faz é disfarçar o processo de comunicação entre computadores. (...) 5.3.2 Proxies/O uso de servidores proxy é outra forma muito comum para despistar a origem de uma ação na rede. O proxy é um software que mascara o IP de uma rede interna ou externa centralizando o tráfego na máquina onde está instalado, ou seja, uma máquina que tenha um browser configurado para acessar a web através de um servidor proxy "X" deixará nos logs dos locais por onde navegar o IP do proxy e não o seu, que pode ser um IP privado ou público. (...) 5.8.2 Confirmando a autoria (...) A perícia no equipamento é de vital importância para fechar o ciclo da investigação e perícia, já discutido no capítulo II - 1, quando tratamos de recuperação de dados em disco. Nos crimes via web, é necessária uma minuciosa verificação do histórico de páginas navegadas, cache, registro do Windows, se for o caso, etc". Costa. Marcelo Antonio Sampaio Lemos. Computação Forense. Págs. 70, 72, 77, 81 e 87. Millennium Editora.
(6) O uso comercial da internet tornou a rede lenta e sobrecarregada. Surgiu, então, no seio da comunidade acadêmica, o projeto de criar uma rede de alto desempenho voltada para aplicações avançadas como telemedicina, bibliotecas digitais, laboratórios virtuais, entre outros. A iniciativa em questão, uma verdadeira nova geração da internet, caracterizada pela alta velocidade e pelas tecnologias multimídias em tempo real, foi batizada de Internet2.
FORMULÁRIO 4 (Alunos)
Autor: Aldemario Araujo Castro. Direitos reservados. Leis 9.609/98 e 9.610/98. Permitida a cópia para utilização exclusivamente com finalidade didática e com citação da fonte. Vedada a comercialização. Ilustrações, figuras e fotos de uso livre. Maceió, 9 de janeiro de 2007.
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